A maioria da nossa gente portuguesa considera a Primavera a estação do ano mais bonita e interessante. E não digam que é mentira porque eu entro logo com o engraçado argumento dos habituais votos de aniversário: "Parabéns pelas 23 Primaveras!". Dizerem-me isto e encherem-me de porrada é a mesma coisa. E, muito sinceramente, prefiro até que me assentem o pêlo de uma vez só que me façam lembrar da carrada de anos de sofrimento a coçar-me e a expulsar ar convulsivamente pelo nariz. Sim, eu só expulso ar.
Mas porque tenho eu que levar com os órgãos reprodutores masculinos das flores? - Eu nunca vos fiz nada, porra! Sejam felizes, seus microgametófitos! E contribuam muito para o aumento da beleza no mundo, mas, por favor, deixem-me sossegada no meu canto.
Não tem piada nenhuma pensar que uns bardamecos assim me provocam uma comichão stressante nos olhos e me deixam pior que uma fusão entre o Fester da Família Addams e o Conde Drácula.
As flores são lindíssimas e eu adoro-as, mas só me sinto segura perto delas se me enfrascar meia-hora antes de anti-histamínicos e vestir uma armadura do século XIX. E, mesmo assim, espirro e rebento com o nariz todo.

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