segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Para ti


Ultimamente tenho andado cansada e mais sensível, coisa que em mim não é muito comum. Aliás, nem me lembro da última vez que estive tão cansada, mas apesar de algum desconforto que isto possa causar, mando tudo para trás das costas e sigo caminho sem pensar muito no assunto.

Ontem, enquanto arrumava umas coisas na gaveta onde guardo todas as minhas recordações, calhei de reler algumas cartas que me escreveram. Não pude deixar de ler as da minha melhor amiga, porque sabia que se as lesse me iria sentir melhor. Em todas elas existem a prova do nosso afecto e os pontos essenciais que uma verdadeira amizade precisa para sobreviver, mas houve uma carta que ela me escreveu no meu 17º aniversário que me tocou especialmente.




14 de Março de 2010 

«Parabéns a você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida. Hoje é dia de festa, cantam as nossas almas, para a minha Choco Krispie UMA SALVA DE PALMAS!» 

Olá meu amor...Olha, tenho andado a matar a cabeça a pensar, não na taxa de desemprego, nem nas incompetências do nosso governo, mas sim no que te haveria de oferecer nos teus 17 anos. Pensei «vou dar-lhe um capacete para ela se "matar" à vontade», mas depois pensei «para quê Jesus?! Vai capacete, vai tudo!». Depois, tive a brilhante ideia de te oferecer uma peça de roupa, mas pensei «roupa? Ela é tão trenga que não vai perceber que é uma camisola e faz-me já panos para a cozinha.». Bem, eu já estava a entrar em decadência, quase a dar entrada no Magalhães Lemos (porque estava mesmo a ficar maluca!), mas de repente lembrei-me «vou escrever-lhe uma carta» e, a partir daí, o meu dilema já era «a computador ou à mão?», mas um dia mais tarde darás mais valor à estúpida da minha letra do que ao estúpido de um computador! «Ina...vá lá, já chega de conversa da treta!!!» 
Amor, eu quero dizer-te, ou melhor agradecer a Deus por te ter posto na minha vida, minha melhor amiga...não há palavras que descrevam o carinho que sinto por ti, Cris. Já passámos por tanto juntas, mas tanto, tanto... 
Lembras-te quando fomos dar de comer às perdizes na primária? Nós, as desgraçadas das crianças às cabeçadas dentro de um galinheiro que, como era óbvio, a Professora Fernanda não ia para lá, senão nunca mais de lá saía!  
E as nossas idas a casa da Joana para imitar o Gato Fedorento e gravar sketches connosco a representar? 
E de quando a Joana se espatifou?? «Ai, as minhas costas!...PUMM!». Nós, realmente, rimo-nos de tudo e de nada, mas nunca foi com má intenção, nunca por mal, nós é que sempre fomos umas hienas! 
Lembras-te da turma maravilhosa que nós tínhamos? Das notas invejáveis que tirávamos? Nós vivíamos num mar de rosas...e agora? 
Agora, nada! Não há nada que me puxe nesta escola a não seres tu! És tu, Cris, é por ti que me levanto todas as manhãs para ir para a escola, és tu que me fazes sorrir, ou melhor, és tu que me fazes partir o caco a rir quando estou «com os pés virados para a cova»!!! És tu a razão do meu ser, minha bonequinha. Ainda "ontem" andavas de fitinha na cabeça e aos saltinhos e, agora, já quase que podes tirar a carta... que crescida minha bebecas! Não há ninguém, nem nada nesta vida... (nem na outra), que vá ocupar o teu lugar. A nossa amizade tem tudo de bonito, há respeito, há amor, há carinho, há macacadas, há brincadeiras, há gargalhadas e há lágrimas... as lágrimas que tu me limpaste. Não foi mais ninguém, a não seres tu quem me ajudou a superar todos os dilemas da minha vida, como foi o caso da partida da nossa grande amiga Tufa. Posso considerar que foi a maior dor que já senti, e foi contigo que superei... e... falando "daquele nosso assunto", porque de certa forma tem a ver com o que estou a falar... amor, "aquilo" irá resolver-se, decerto que não foi por acaso que nos aconteceu logo às duas, seria muita coincidência. Nós iremos ultrapassar "este nosso segredo" juntas e não só, Jesus estará sempre connosco.
Quero que saibas que sem ti, nada na minha vida faz sentido, tu és a bússola do meu caminho e não te quero perder por nada deste mundo! Promete-me que quando for altura, que quando formos mais velhas, iremos construir as nossas casas uma ao lado da outra e que nada nem ninguém se irá meter no nosso meio. 
É verdade, tenho uma fotografia nossa que tirámos no dia 13 de Maio do ano passado, no meu aniversário, em que estamos tão parecidas, maninha... mas vá, já chega de lamechisses! Só te quero relembrar que a tua Ininha estará aqui para tudo o que precisares, TUDO MESMO, meu Tesouro! 
E como nós sempre fomos mais viradas para a macacada, vou ter de acabar esta carta com a nossa última moca, cujo autor é o nosso amigo Rui Jorge, mais conhecido por Jojó:
«I fink that I mostate this image», tipo, hã?  
E, já agora, «Os testes de Português estão maus, não estão?? E isto porquê? Porque há quem se cague durante os testes, desconcentrando os outros!!», e agora, a «Unha Infernal» vai pensar «Eh, pá, estes meus alunos para além de porcos são burros!» 
Bem, são as fragilidades do Ser Humano!  
 ...
Para sempre, meu Chiripiti  
Do teu Cardjumi. 








Depois disto, palavras para quê?
Obrigada por tudo, Ina.
 

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