Sinto-me distante quando, na verdade, me sinto próxima. E mesmo rodeada de luz, sinto-me apagada. Fecho os olhos e penso no que fui, mas nunca deixo que mos abram sem primeiro saber quem sou.
Dou conta de que, neste momento, existo para algo. Somente para um pequeno algo e para mais nada. Ando encurralada por este singular pensamento que me deseja e que, só na minoria das vezes me abomina verdadeiramente. Mas anseio por viver assim para sempre, bem como mal vejo a hora de dar um desfecho ao tudo de mim.
Prefiro sorrir enquanto há morte que me valha do que sofrer pela vida que me custa. Seduz-me viver e saber que não sinto, do que sentir que estou a ser arrastada para um vazio que tão bem conheço.
Pressinto um fim muito próximo e receio que este possa nunca vir a existir. Sinto-me como alguém que não passa de ninguém enquanto consegue ser tudo e é capaz de derramar um mundo com abundância.



